terça-feira, 29 de novembro de 2011

Alunos do INPA visitam RDS do Uatumã para aulas práticas


Entre os dias 20 e 27 de novembro, alunos do curso de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia (MPGAP) , do Inpa, realizaram um módulo de campo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. 

Durante uma semana, os alunos puderam vivenciar a realidade de uma Unidade de Conservação (UC) Estadual de Uso Sustentável, assim como acompanhar a implementação dos projetos e programas de gestão da UC. As atividades realizadas contaram com apoio de técnicos do Idesam e da chefe da Unidade de Conservação, Aline Britto, que apresentaram e discutiram os projetos conduzidos pelo Idesam na RDS: Manejo Florestal Comunitário, tanto madeireiro como não-madeireiro; Sistemas Agroflorestais; turismo de base comunitária com visitação a pontos turísticos da RDS (como a Serra do Jacamim e Lago do Jaraoca), entre outros. 

Os estudantes também conheceram o Núcleo de Conservação e Sustentabilidade do Uatumã e o Projeto de Quelônios do Uatumã, desenvolvidos pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e pelo Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (CPPQA), mantido pela Manaus Energia S/A, respectivamente. Eles visitaram os tabuleiros de preservação e puderam acompanhar o nascimento de quelônios e seu transporte para o berçário do projeto. Após conhecerem melhor a RDS foi realizado um exercício para avaliar e discutir o Plano de Gestão, seus programas previstos e os já implantados. 

Como principal vivência os alunos puderam conversar e acompanhar um pouco do dia a dia de comunitários da reserva e suas impressões e experiências sobre a situação atual da reserva.Confira mais algumas fotos das atividades:


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Inventários florestais na Floresta Estadual de Maués

A Floresta Amazônica engloba aproximadamente um terço de toda a Floresta Tropical do mundo. Para mantermos o equilíbrio ambiental e climático no globo terrestre, conservá-la “em pé” é uma necessidade indispensável. Mas como confrontar as atividades econômicas predatórias e garantir a manutenção da floresta? É necessário encontrar meios de gerar riqueza com a floresta sem precisar derrubá-la, através do manejo florestal madeireiro, o extrativismo de produtos não madeireiros e os pagamentos por serviços ambientais.

Como parte dessa estratégia, o Idesam desenvolve Planos de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala junto a diversas comunidades tradicionais do Amazonas. Atualmente, estão sendo desenvolvidos, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), os planos de manejo nas comunidades Monte Sinai e São João do Pacoval, na Floresta Estadual de Maués. As áreas – cada uma com 320 ha – foram indicadas pelos próprios moradores locais, que participam de todo o processo.


"Mas como confrontar as atividades econômicas predatórias e garantir a manutenção da floresta?"


A atividade teve início no mês de julho, com a visita às áreas escolhidas e a elaboração do mapa base. Com o mapa finalizado, era necessário apresentá-lo ao Instituto de Terras no Amazonas (Iteam) a fim de conferir possíveis sobreposições de documentos fundiários. Com a confirmação negativa de conflitos, nossa equipe voltou ao local, entre os dias 22 de agosto e 1º de setembro, desta vez para realizar os inventários florestais em ambas as áreas, através da demarcação de Unidades de Produção Anuais de 20 hectares para cada Plano de Manejo.







Nessas áreas, com o auxílio de coletores eletrônicos de dados (modelo PIDION), fizemos a coleta das dimensões e localização de todas as árvores com potencial comercial, indicadas pelos próprios comunitários, que participaram de todas as etapas da coleta de informações.

O próximo passo é a elaboração dos Planos de Manejo de cada comunidade, que serão posteriormente avaliados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam). Com os planos, Monte Sinai e São João do Pacoval estarão cada vez mais preparadas para adotar o manejo florestal sustentável, gerando renda e conservando a floresta.


Octavio Nogueira

Coordenador do Programa de Manejo de Recursos Naturais (PMN)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Capacitação, Rede de Sementes e Reflorestamento: dimensões práticas da sustentabilidade

Uma equipe do Idesam, formada por pesquisadores do PMC e do Laboratório de Geomática, está em Apuí desenvolvendo atividades ligadas à capacitação dos técnicos ambientais do município, atividades da rede de sementes e coleta de dados para implantação dos primeiros experimentos de recomposição de áreas degradadas. As ações fazem parte do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí, realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Apuí e o Fundo Vale.


A capacitação técnica, voltada para o uso de sistemas de informações geográficas (SIG) aplicadas à caracterização ambiental de propriedades rurais, aconteceu entre os dias 22 e 26 de agosto. Ao longo de oito horas diárias, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Apuí, Idam, Ceuc e Idesam utilizaram os programas de georreferenciamento focados nas necessidades práticas das instituições e estiveram em campo para mapear áreas de reserva legal, APPs e áreas em uso de uma propriedade rural. As aulas práticas foram planejadas pela equipe do Idesam com base nas exigências do Programa de Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais do Amazonas – a lei do CAR.

Caracterização ambiental de uma propriedade rural em Apuí. Mapa produzido durante o Curso de Sistemas de Informações Geográficas.

Nas ações da Rede de Sementes, articulamos novas listas de pedidos para orientar os coletores em campo e para planejar os consórcios de espécies nos experimentos de reflorestamento. Neste sábado e domingo (27 e 28/08), estivemos no viveiro Santa Luzia para acompanhar o processo de germinação das sementes coletadas no início de agosto (ver nota anterior), beneficiar frutos e preparar novas semeaduras. Por fim, temos em torno de 80 quilos de sementes – coletadas nas florestas de Apuí – em processo de germinação. Em breve, as mudas de cacauzinho-do-mato (Theobroma sp.), ingá-de-metro (Inga edulis), jaboticaba (Myrciaria jaboticaba), ipê-amarelo (Tabebuia serratifolia), bacabinha (Oenocarpus minor), açaí (Euterpe oleraceae e E. precatoria), dentre outras, estarão prontas para os primeiros experimentos de recomposição florestal.

Semeadura. Confira mais fotos da Rede de Sementes de Apuí aqui.

Para o reflorestamento, temos 12 propriedades rurais até então selecionadas, cada uma delas com uma área experimental de 3 a 5 hectares. Durante esta semana (29/8 a 3/9), estamos visitando oito dessas áreas para coletar amostras de solo, levantar dados históricos de seu uso e listar as espécies da vegetação regenerante. Essas informações serão analisadas pela equipe e nos ajudarão a delinear os experimentos, facilitando a interpretação dos resultados e os ajustes necessários. Até janeiro de 2012, esperamos propagar 40.000 mudas e contar com 1 tonelada de sementes para os experimentos e recomposição de outras áreas degradadas.


Diego Brandão
Coordenador das atividades de campo do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os rumos da Educação Ambiental em Apuí

Para a Educação Ambiental (EA) influenciar uma sociedade a usar de forma sustentável os recursos naturais, é necessário considerar o contexto local de uso da terra e focar em ações que envolvam efetivamente o público alvo. Em Apuí, desde 2008, uma série de iniciativas educacionais tem mobilizado crianças e jovens, dentro e fora dos espaços escolares. Programas pontuais ligados ao uso correto da água, reciclagem do lixo, coleta seletiva, impacto das queimadas, dentre outros, são implementados e, possivelmente, geram efeitos difíceis de serem medidos.

Uma característica indiscutível dos projetos pontuais em EA é o enfraquecimento da mensagem conforme o tempo avança e o projeto acaba ou é substituído. Além disso, questões relacionadas às transações administrativas e a necessidade de novas abordagens interrompem a continuidade da mensagem e sua função prática. Considerando essas tendências, onde podemos atuar para que a EA seja efetiva e tenha o tempo, desta vez, como aliado?

Dentro do pacote de atividades que estamos desenvolvendo em Apuí, temos a missão de participar da atualização ambiental do sistema educativo municipal. Essa ação talvez seja a mais desafiadora do projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí (SSApuí) e, se for bem aplicada, pode catalisar outras ações que acontecem de forma paralela, como a pecuária sustentável, a rede de sementes e a restauração de áreas degradadas (para saber mais sobre esses temas, veja os nossos posts anteriores).

Em agosto, apresentamos e discutimos com os gestores escolares, as secretarias de Educação e Meio Ambiente e a Comissão Municipal de EA, uma nova proposta de implantação da educação ambiental em Apuí. Na contramão das tendências municipais, não lançamos uma campanha de conscientização, mas propusemos o fortalecimento dos projetos pontuais, que ocorreram no passado, em assuntos diretos da grade curricular do município. Além disso, outras iniciativas voltadas para a realidade local de uso da terra baseado na sustentabilidade, componentes do SSApuí, serão direcionadas e farão parte dos diálogos dentro da sala de aula. Assim, as mensagens outrora focadas serão trabalhadas em diversas disciplinas, ao longo do ano letivo em todos os níveis de formação (1o a 9o ano) e, com o passar do tempo, tenderá a consolidar pensamentos e práticas sustentáveis no dia a dia desses alunos, os futuros homens e mulheres transformadores do uso das terras apuienses.


(crédito da imagem: Marcos Menescal)

Diego Brandão
Pesquisador do Programa de Mudanças climáticas e Serviços Ambientais

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Tecnologia a serviço da Sustentabilidade

Em agosto, a Rede de Sementes de Apuí deu mais um passo rumo à sua consolidação. Enquanto alguns integrantes da equipe articulavam, em Manaus, questões técnicas e legislativas relacionadas a produção e comercialização de sementes e mudas, outros integrantes estavam em campo fazendo o cadastro de novas áreas de coleta e matrizes sementeiras. Além do cadastramento e caracterização da árvore matriz e de seu ambiente, a equipe também realizou a coleta de frutos, sementes e exsicatas para uma posterior identificação botânica. Para registrar tais informações, testamos um método inovador de coleta, inédita em uma rede de sementes, que busca substituir formulários de papel, caneta, prancheta, GPS e câmera fotográfica nas operações de campo por um único aparelho.

      

Ainda em fase experimental e de implementação, o novo sistema tem sido desenvolvido para dinamizar a coleta de dados em campo, como acontece com o pré-processamento e o armazenamento em banco de dados. Esses procedimentos são gerenciados pela plataforma Open Data Kit (ODK), um conjunto de ferramentas abertas e públicas para coletar dados.

Com o uso de celular com Android, o ODK Collect permite o registro de metadados em formato de texto e alfanumérico, fotografias e coordenadas geográficas das matrizes e áreas sementeiras. Dentre outras funções, o sistema pode ser aplicado para monitorar árvores durante os períodos de floração e frutificação e na execução de protocolos de contagem e pesagem de sementes. A maior vantagem é a rapidez e agilidade na transferência de dados ao armazená-los automaticamente em um servidor na internet. Além disso, o ODK possui uma interface amigável e de fácil interação, o que permite o manuseio pelos coletores de sementes durante as atividades de campo.


O Idesam está investindo na prática e aperfeiçoamento dessa tecnologia para o monitoramento florestal comunitário. Além de Apuí, esse método está sendo utilizando junto à população indígena Suruí, em Rondônia, e em vários inventários florestais no Estado do Amazonas. Sendo um dos pioneiros a testar a tecnologia para esta finalidade, o Idesam compõe um Grupo de Trabalho de Monitoramento Florestal Comunitário composto por diversas instituições ao redor do mundo, que se reunem constantemente para discutir e compartilhar experiências para que esse tipo de tecnologia se estabeleça e torne a coleta de dados e o processamento um pouco mais suave e eficiente.

Gabriel Cardoso Carrero
Coordenador do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí

Diego Brandão
Pesquisador do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí

Renan Kamimura
Pesquisador do Laboratório de Geomática do Idesam

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Conselho aponta dificuldades no desenvolvimento rural de Apuí


No início do mês, os membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) se reuniram para discutir, dentre outras pautas, assuntos técnicos ligados à lei do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a operação da patrulha mecanizada em Apuí (imagem).

Em Apuí, a adesão ao CAR tem sido feita junto ao Instituto de Preservação Ambiental do Amazonas (Ipaam), no entanto, os proprietários rurais estão impossibilitados de cumprir a lei... O motivo: a falta de funcionários para o cadastramento. Buscando entender o que está acontecendo, o Conselho decidiu encaminhar um pedido de esclarecimento ao Instituto responsável. Vale ressaltar que, enquanto o Ipaam estava presente no município, Apuí liderava o ranking estadual de adesão ao CAR, o que mostra o interesse dos produtores em se regularizar ambientalmente.

Outro assunto debatido durante a reunião foi a patrulha mecanizada, investimento do Incra para recuperar estradas e vicinais do município.

No termo de cooperação entre administração pública e Incra consta a participação do órgão federal na manutenção das máquinas, no entanto, a prefeitura local destaca que até o momento nenhum repasse foi feito, o que dificulta o prosseguimento dos trabalhos. Tal situação reflete diretamente nos agricultores do município que, devido às más condições das vias de acesso, não conseguem escoar a produção e – em razão disso – garantir o sustento da família. Diante dos fatos, o CMDRS também encaminhou ao Incra uma notificação cobrando o cumprimento do acordo.

Agora é aguardar a resposta aos encaminhamentos, a partir disso, estruturar ações mais específicas quanto aos assuntos debatidos.

O que é o CAR?

O Cadastro Ambiental Rural foi criado através da lei estadual 3.635 e consiste no registro das áreas de preservação permanente, reserva legal e desmatada das propriedades rurais. O objetivo da lei é incentivar e fomentar a recuperação dos passivos ambientais e controlar o desmatamento no Amazonas.


Adalberto Vicente
Técnico Agropecuário – Programa Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais

Diego Brandão
Pesquisador do Programa Mudanças Climáticas e Serviços Ambientais

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Matrizes sementeiras começam a gerar renda e transformar Apuí em um município mais verde


Na primeira sexta-feira de agosto (05/08), os coletores de sementes de Apuí e os técnicos do Idesam saíram para coletar sementes maduras, cadastrar novas áreas e matrizes sementeiras. Dessas atividades foram coletados 25 quilos de baginha (Stryphnodendron sp.), 30 quilos de açaí (Euterpe precatoria), um cacho de bacabinha (Oenocarpus cf minor) e algumas gramas de outras espécies. 

Nesse mesmo dia, a equipe ainda subiu num cedro rosa (Cedrela odorata) e numa faveira ferro (Dinizia excelsa), porém, não conseguiu coletar frutos em nenhuma das árvores. O cedro, de aproximadamente 30 metros de altura, estava com os frutos formados, mas imaturos. A faveira ferro (40 metros), olhando do chão da floresta parecia estar carregada de bons frutos, porém, chegando lá em cima, os coletores constataram que as aves haviam chegado antes e comido todas as sementes. Agora, essas aves estarão fazendo seu papel ecológico de dispersoras de sementes e, indiretamente, podem estar contribuindo com a manutenção da rede em longo prazo.


Na sede do Idesam em Apuí, os coletores beneficiaram o açaí e acondicionaram as demais sementes para serem tratadas posteriormente. O açaí rendeu 15 litros de polpa e aproximadamente 25.000 sementes. A polpa foi compartilhada entre os coletores e as sementes logo virarão mudas e, na época das águas, serão utilizadas para reflorestar áreas de preservação permanente e de reservas ilegalmente desmatadas em Apuí. A equipe de coleta adquire experiência e motivação a cada semana, começam a tirar renda das sementes, e motivar outras pessoas do município.

Imagens: (1) Cacho de frutos da bacabinha, espécie de palmeira presente nos quintais agroflorestais em Apuí; (2) O coletor de sementes Jerônimo Alves, em ascensão aos frutos da faveira, na área de coleta da Cachoeira do Apuí; (3) Frutos da baginha, leguminosa encontrada na área de coleta da vicinal Paredão, a cerca de 10 km da sede do município; (4) Coletor de sementes Valdair e o processo de beneficiamento das sementes do açaí.


Diego Brandão
Pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam

Gabriel Carrero
Pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam
Coordenador do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí