sexta-feira, 4 de maio de 2012

“Paragominas, seja bem vindo ao Apuí!”

Foi com esse jargão que recebi os representantes do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas (SPRP), em 17 de abril, no aeroporto local. Se tivesse contido a empolgação teria dito que estava feliz por reencontra-los, dessa vez em Apuí, e empolgado por toda a troca de informações sobre desenvolvimento municipal sustentável que ainda estava por vir.

 O encontro, que para persistir no tempo foi nomeado como o 1º Intercâmbio de Pecuária e Sustentabilidade de Apuí, contou ainda com a participação da ONG The Nature Conservancy (TNC), da empresa de consultoria pecuária Boviplan, da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (CMADS) e de diversas entidades locais. Realizado pelo Idesam com apoio do Fundo Vale, dentro das propostas do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí (SSA), o Intercâmbio foi conduzido para agregar força no processo de transformação socioambiental que acontece no município. Nesse sentido, todas essas entidades estavam reunidas em Apuí para discutir junto com a sociedade, através de uma série de palestras e visitas técnicas, modelos de pecuária mais adequados às condições da região.

O SPRP e a TNC apresentaram as experiências de Paragominas (Pará) em torno da regularização ambiental das propriedades rurais e o aumento de produtividade na pecuária sem derrubar um palmo de floresta. De forma explícita deixaram claro quais foram os caminhos que deram ao município de Paragominas o título de “município verde”. O deputado estadual (AM) Luiz Castro, atual presidente da CMADS, expôs a necessidade de maior intervenção do Governo do Amazonas no desenvolvimento da pecuária no Estado e o consultor da Boviplan apresentou o estudo de viabilidade econômica referente às quatro unidades de intensificação pecuária implantadas pelo Idesam em Apuí.
 
Após as palestras, iniciamos as visitas técnicas nas Unidade Demonstrativas de manejo rotacionado (UD). Na fazenda Paredão, o grupo foi recebido pelo agropecuarista Ivo Ferrasso. Após o café tipicamente da roça e de uma conversa descontraída na cozinha levemente esfumada pelo trabalho silencioso do fogão de lenha, o grupo seguiu para a UD. Ao longo da caminhada – da sede da fazenda até a praça de alimentação da UD – o técnico do Idesam Adalberto Vicente e Antony Sewell (Boviplan) expuseram como o projeto foi desenhado e implementado. Ao comparar a área da UD com as outras áreas de manejo tradicional dentro da propriedade, Ivo Ferrasso disse que conseguiu dobrar a quantidade de animais por área e percebeu uma sobra de capim, o que evidencia as vantagens do manejo rotacionado. Almoçamos, nos despedimos e seguimos.




As visitas se sucederam nas outras três fazendas; o grupo sempre bem recebido pelos proprietários que compartilhavam boas conversas debaixo da sombra fresca das árvores do quintal. Nas áreas do manejo rotacionado já é notado claramente uma melhora na pastagem e uma satisfação maior dos produtores que já falam em ampliar. Apesar do bom desempenho, o presidente do SRPR, Mauro Lúcio Costa, que tem mais de 30 anos de experiência na criação de gado na Amazônia, apontou alguns detalhes na UD que, se trabalhados, podem elevar ainda mais a produtividade do rebanho. Essa percepção, associada ao interesse dos produtores parceiros e do Idesam, abriu as articulações para os próximos intercâmbios. Em breve, o pessoal de Apuí retorna para Paragominas, assim como ocorreu em 2011 (saiba mais em: Intercâmbio Apuí-Paragominas), e dará continuidade nesse fluxo positivo de influências e confluências.
 
Conhecer exemplos de transformação que deram certo, ouvir o produtor e ampará-lo com técnica e crédito são iniciativas que podem ser efetivas para inibir a força motriz do desmatamento na Amazônia. Uma nova perspectiva de desenvolvimento começa a ser semeada em Apuí e, aos poucos, a população passa a entender a sua necessidade, os benefícios econômicos e ambientais, e vislumbrar a possibilidade de mudança. 



O debate que nos convida a pensar e aplicar ideias sustentáveis é essencial para alcançar a transformação necessária. A equipe do Idesam, juntamente com seus parceiros e apoiadores, cultiva esse pensamento e prossegue com sua missão em Apuí.

Diego Brandão
Pesquisador do Programa Mudanças Climáticas do Idesam;
Coordenador de Campo do Projeto SSA. 


Confira algumas notícias sobre o evento:

segunda-feira, 19 de março de 2012

Apuí: Resgate Histórico e Semana de Pecuária



Entre os dias 19 e 21 de março, o Idesam realiza a 1ª Semana de Pecuária e Sustentabilidade de Apuí, que marca um ano de atividades do Projeto Semeando Sustentabilidade.


Além do evento, nossa viagem ao município também tinha como objetivo realizar uma série de entrevistas com moradores e instituições a fim de elaborar uma cartilha voltada para a Educação Ambiental. Para isso, contamos com a consultoria da pedagoga Rejane Moreira, especialista em gestão ambiental pela UFMG, que foi incubida dessa coleta de informações.

Juntamente com o pesquisador Diego Brandão, Rejane chegou ao município dois dias antes de mim; algumas entrevistas foram realizadas, outras já programadas para os dias seguintes. Quando cheguei a Apuí, no dia 16/03, uma dessas entrevistas já estava marcada para as 10 horas. Enquanto esperávamos o horário da reunião, visitamos alguns pontos estratégicos da cidade para divulgar a Semana de Pecuária e afixar alguns cartazes.

Chegamos à Semma – nossa entrevistada seria a secretária municipal de Meio Ambiente, Cristiane Maciel – e uma das primeiras coisas que me chamou atenção foram as poltronas feitas de garrafas PET, o que seria explicado no decorrer da reunião.

Durante nossa conversa, abordamos as várias iniciativas que a Secretaria vem tomando desde 2009 na área de educação ambiental. A Secretária citou as campanhas “Minha Água, Minha Vida”, “Diga não à queima de lixo doméstico”, “O Bairro que queremos ter”, o programa de rádio “Apuí, Cidade Amiga do Meio Ambiente”, entre outras. Com a conversa, foi possível perceber que a Semma se mostra bastante interessada em tratar a educação ambiental no município, mas as ações correm o sério risco de serem interrompidas pela falta de funcionários na pasta, que conta com apenas três servidores.

Com as informações que precisávamos em mãos, encerramos a reunião já na hora do almoço, que seria no famoso Restaurante da Mama, de onde ouvi falar quando ainda estava em Manaus.

Durante a tarde, foi o momento de conversar com os moradores, mais especificamente os primeiros moradores de Apuí, que chegaram em 1983, quando o município era apenas um grande assentamento. Quem nos guiou e nos ajudou nas entrevistas foi a professora Elizabete Morais, ela mesma uma das primeiras que chegou por aqui.


Por intermédio dela, pudemos conhecer as histórias de vida da Dona Nilda e o casal Seu Paulino e Dona Sibila, que vieram do sul do Brasil em busca de condições melhores de vida e encontraram uma situação totalmente inesperada quando chegaram. Apesar das muitas dificuldades, todos eles adotaram o Amazonas como seu novo lar e compartilham da mesma opinião ao dizer que não deixariam sua vida aqui, construída com muito trabalho e sofrimento.

Seria impossível tratar de maneira mais aprofundada sobre os depoimentos aqui no blog, portanto iremos nos ater às atividades práticas, mas todas essas histórias de vida, inclusive os que ainda serão colhidos no decorrer da semana, serão compilados em uma publicação que fará um resgate histórico do município.

Durante a noite, o trabalho continuou. Nossa equipe visitou os cursos técnicos em Manejo Florestal e em Agronegócio, desenvolvidos pelo Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas), para apresentar as atividades do Semeando Sustentabilidade em Apuí. Os alunos de ambos os cursos se surpreenderam com as atividades do projeto e o Idesam finalizou as apresentações deixando as portas abertas pra receber a cooperação dos futuros técnicos ambientais do município.

 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uatumã: Quelônios e Associação de Moradores – Parte 2


No segundo dia, acordamos por volta de 6h30 da manhã e assim que todos estavam prontos, voltamos para a sede da Comunidade do Livramento. Quando chegamos, o primeiro barco do Projeto Quelônios do Uatumã já estava atracado e já era possível ver muita gente, principalmente crianças, com a camisa verde do projeto. 

A primeira atividade foi o café da manhã oferecido pela comunidade como boas vindas aos visitantes que participariam da Soltura. Bolos, frutas regionais, pães, mingau, sucos... apesar de uma fila grande, todos ficaram satisfeitos. 

Por volta das 9h30, todos foram convocados para a sede da associação. Quem deu as boas vindas foi o coordenador do CPPQA e atual responsável pelo Projeto Quelônios do Uatumã, Paulo Henrique Guimarães. A programação também incluiu um momento de oração e duas apresentações teatrais, a primeira foi feita com artistas da cidade de São Sebastião do Uatumã, que, de maneira inteligente, arrancaram várias gargalhadas dos presentes falando principalmente sobre questões cotidianas das comunidades da RDS. A segunda apresentação ficou sob responsabilidade do Grupo de Teatro do Sesi (Serviço Social da Indústria), de Manaus, que apresentou o espetáculo “Queridos Quelônios”, onde a questão da preservação das espécies ameaçadas de extinção foi destaque.

As programações acabaram acontecendo concomitantemente e logo quem falava com os presentes era a Dona Cleide, presidente da Associação Egroextrativista, que falou sobre a importância da nova sede para as comunidades do Uatumã e chamou à frente todos os parceiros da Associação, entre eles, o André, que agradeceu o convite e parabenizou todos os associados pelo trabalho realizado ao longo dos últimos meses de construção da sede da Associação e reforçou a parceria do Instituto na gestão da Unidade e nos trabalhos já desenvolvidos e destacou a importância de criar novos projetos que beneficiem a RDS.

Finalmente chegou a hora da soltura dos filhotes de quelônios. Como a cheia na Bacia Amazônica chegou mais cedo e de maneira mais intensa do que o esperado, foi difícil achar uma praia para a atividade, a única disponível tinha aproximadamente 15 metros de extensão e ficou um pouco apertada para acomodar a quantidade de pessoas que chegou para a atividade.  Eram cinco caixas com centenas de quelônios.

A atividade desenvolvida foi apenas simbólica, no dia anterior, os agentes ambientais responsáveis pelo tabuleiro já haviam realizado a soltura de grande quantidade dos filhotes e muitos ainda seriam liberados no ambiente nos próximos dias. De acordo com o Paulo Henrique, no total serão libertados mais de 20 mil filhotes, dos quais apenas 5% chegarão à idade adulta. 

De volta à sede de Livramento, a comunidade continuou com as atividades lúdicas e esportivas promovidas pelo Sesi e, por volta das 15h, nossa equipe tomou o caminho de volta para Manaus, afinal ainda teríamos 6 horas de viagem para enfrentar. 

De qualquer forma, a beleza natural da RDS e a acolhida dos seus moradores compensam qualquer esforço para chegar lá. Agora, é só aguardar uma nova visita.

Confira mais fotos da atividade no Flickr do Idesam.

Uatumã: Quelônios e Associação de Moradores – Parte 1


No último final de semana (3 e 4 de março), o Idesam participou de duas atividades realizadas na comunidade de Nossa Senhora do Livramento: a 14ª soltura de quelônios do “Projeto Quelônios do Uatumã”, desenvolvido pela Eletrobrás / Amazonas Energia, e a inauguração da sede da Associação Agroextrativista das Comunidades da RDS do Uatumã. Apenas dois dias, e muita estrada pela frente.

Na equipe estavam: Danielly da Matta  e André Vianna, pesquisadores do Programa Unidades de Conservação, do Idesam; Samuel (eu), da Comunicação; e o Raphael Gonçalves, recentemente escolhido para ser o novo gestor da Reserva, que fez sua primeira visita à RDS junto com a gente. Até então, eu conhecia o local apenas através das fotos e relatos que a equipe levava para o escritório do Idesam. 

No sábado de manhã, após reunir a equipe, saímos de Manaus por volta das 8h e, depois de aproximadamente quatro horas de estrada (uma parada rápida no meio do caminho para esticar as pernas e fazer um lanche), chegamos à sede de Itapiranga. Depois de almoçar e comprar alguns suprimentos, seguimos para o porto da cidade, de onde partimos de para a Reserva, seriam mais duas horas de viagem até a comunidade do Livramento, onde aconteceram as atividades.

Itapiranga é um termo de origem indígena que significa “pedra vermelha”. Do tupi ou nheengatu itá: pedra; e piranga: vermelha.

Muita água e muito verde. Como já conhecem muito bem esse percurso, a Dani e o André explicavam o que eram os agrupamentos de casas – ou casas isoladas – no decorrer do percurso. Apesar de formarem comunidades dentro da reserva, muitos habitantes constroem suas casas afastadas das sedes, procurando por mais tranquilidade ou em razão da atividade produtiva que realizam, mas sempre se fazem presentes nos eventos e principais acontecimentos, garante o André.

 
Chegamos à comunidade de Nossa Senhora do Livramento, e logo na entrada fomos recebidos pela D. Neide, que preparava a ornamentação do evento de domingo. Depois encontramos a filha dela, D. Cleide e o Monteiro. Dona Cleide é a atual presidente da Associação e Monteiro, mais conhecido como “Papa” é um dos comunitários mais envolvidos com os projetos implantados na RDS pelas organizações que lá atuam. Além de ter um Sistema Agroflorestal instalado recentemente na sua propriedade, o Papa também trabalha com Turismo na Reserva, recebendo os visitantes na sua casa.

Depois das primeiras apresentações, tínhamos uma tarefa a cumprir. Encontrar a Dona Neide e passar um recado sobre uma reunião que seria realizada pelo projeto Empoderamento durante o próximo fim de semana. Aproveitamos para conhecer outros pontos da RDS, entre eles o Núcleo de Sustentabilidade da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), onde funciona uma escola.

Quando voltamos para Livramento, já era fim de tarde, o clima ainda era de preparativos para os eventos de domingo. Enquanto alguns trabalhavam na ornamentação, outros faziam os últimos ajustes na sede da associação, algumas mulheres preparavam o café da manhã que seria servido na manhã seguinte... todos ajudavam.

Ao final do dia, seguimos para a casa do Papa, onde passamos a noite.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Alunos do INPA visitam RDS do Uatumã para aulas práticas


Entre os dias 20 e 27 de novembro, alunos do curso de Mestrado Profissionalizante em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia (MPGAP) , do Inpa, realizaram um módulo de campo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã. 

Durante uma semana, os alunos puderam vivenciar a realidade de uma Unidade de Conservação (UC) Estadual de Uso Sustentável, assim como acompanhar a implementação dos projetos e programas de gestão da UC. As atividades realizadas contaram com apoio de técnicos do Idesam e da chefe da Unidade de Conservação, Aline Britto, que apresentaram e discutiram os projetos conduzidos pelo Idesam na RDS: Manejo Florestal Comunitário, tanto madeireiro como não-madeireiro; Sistemas Agroflorestais; turismo de base comunitária com visitação a pontos turísticos da RDS (como a Serra do Jacamim e Lago do Jaraoca), entre outros. 

Os estudantes também conheceram o Núcleo de Conservação e Sustentabilidade do Uatumã e o Projeto de Quelônios do Uatumã, desenvolvidos pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e pelo Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (CPPQA), mantido pela Manaus Energia S/A, respectivamente. Eles visitaram os tabuleiros de preservação e puderam acompanhar o nascimento de quelônios e seu transporte para o berçário do projeto. Após conhecerem melhor a RDS foi realizado um exercício para avaliar e discutir o Plano de Gestão, seus programas previstos e os já implantados. 

Como principal vivência os alunos puderam conversar e acompanhar um pouco do dia a dia de comunitários da reserva e suas impressões e experiências sobre a situação atual da reserva.Confira mais algumas fotos das atividades:


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Inventários florestais na Floresta Estadual de Maués

A Floresta Amazônica engloba aproximadamente um terço de toda a Floresta Tropical do mundo. Para mantermos o equilíbrio ambiental e climático no globo terrestre, conservá-la “em pé” é uma necessidade indispensável. Mas como confrontar as atividades econômicas predatórias e garantir a manutenção da floresta? É necessário encontrar meios de gerar riqueza com a floresta sem precisar derrubá-la, através do manejo florestal madeireiro, o extrativismo de produtos não madeireiros e os pagamentos por serviços ambientais.

Como parte dessa estratégia, o Idesam desenvolve Planos de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala junto a diversas comunidades tradicionais do Amazonas. Atualmente, estão sendo desenvolvidos, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), os planos de manejo nas comunidades Monte Sinai e São João do Pacoval, na Floresta Estadual de Maués. As áreas – cada uma com 320 ha – foram indicadas pelos próprios moradores locais, que participam de todo o processo.


"Mas como confrontar as atividades econômicas predatórias e garantir a manutenção da floresta?"


A atividade teve início no mês de julho, com a visita às áreas escolhidas e a elaboração do mapa base. Com o mapa finalizado, era necessário apresentá-lo ao Instituto de Terras no Amazonas (Iteam) a fim de conferir possíveis sobreposições de documentos fundiários. Com a confirmação negativa de conflitos, nossa equipe voltou ao local, entre os dias 22 de agosto e 1º de setembro, desta vez para realizar os inventários florestais em ambas as áreas, através da demarcação de Unidades de Produção Anuais de 20 hectares para cada Plano de Manejo.







Nessas áreas, com o auxílio de coletores eletrônicos de dados (modelo PIDION), fizemos a coleta das dimensões e localização de todas as árvores com potencial comercial, indicadas pelos próprios comunitários, que participaram de todas as etapas da coleta de informações.

O próximo passo é a elaboração dos Planos de Manejo de cada comunidade, que serão posteriormente avaliados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam). Com os planos, Monte Sinai e São João do Pacoval estarão cada vez mais preparadas para adotar o manejo florestal sustentável, gerando renda e conservando a floresta.


Octavio Nogueira

Coordenador do Programa de Manejo de Recursos Naturais (PMN)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Capacitação, Rede de Sementes e Reflorestamento: dimensões práticas da sustentabilidade

Uma equipe do Idesam, formada por pesquisadores do PMC e do Laboratório de Geomática, está em Apuí desenvolvendo atividades ligadas à capacitação dos técnicos ambientais do município, atividades da rede de sementes e coleta de dados para implantação dos primeiros experimentos de recomposição de áreas degradadas. As ações fazem parte do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí, realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Apuí e o Fundo Vale.


A capacitação técnica, voltada para o uso de sistemas de informações geográficas (SIG) aplicadas à caracterização ambiental de propriedades rurais, aconteceu entre os dias 22 e 26 de agosto. Ao longo de oito horas diárias, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Apuí, Idam, Ceuc e Idesam utilizaram os programas de georreferenciamento focados nas necessidades práticas das instituições e estiveram em campo para mapear áreas de reserva legal, APPs e áreas em uso de uma propriedade rural. As aulas práticas foram planejadas pela equipe do Idesam com base nas exigências do Programa de Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais do Amazonas – a lei do CAR.

Caracterização ambiental de uma propriedade rural em Apuí. Mapa produzido durante o Curso de Sistemas de Informações Geográficas.

Nas ações da Rede de Sementes, articulamos novas listas de pedidos para orientar os coletores em campo e para planejar os consórcios de espécies nos experimentos de reflorestamento. Neste sábado e domingo (27 e 28/08), estivemos no viveiro Santa Luzia para acompanhar o processo de germinação das sementes coletadas no início de agosto (ver nota anterior), beneficiar frutos e preparar novas semeaduras. Por fim, temos em torno de 80 quilos de sementes – coletadas nas florestas de Apuí – em processo de germinação. Em breve, as mudas de cacauzinho-do-mato (Theobroma sp.), ingá-de-metro (Inga edulis), jaboticaba (Myrciaria jaboticaba), ipê-amarelo (Tabebuia serratifolia), bacabinha (Oenocarpus minor), açaí (Euterpe oleraceae e E. precatoria), dentre outras, estarão prontas para os primeiros experimentos de recomposição florestal.

Semeadura. Confira mais fotos da Rede de Sementes de Apuí aqui.

Para o reflorestamento, temos 12 propriedades rurais até então selecionadas, cada uma delas com uma área experimental de 3 a 5 hectares. Durante esta semana (29/8 a 3/9), estamos visitando oito dessas áreas para coletar amostras de solo, levantar dados históricos de seu uso e listar as espécies da vegetação regenerante. Essas informações serão analisadas pela equipe e nos ajudarão a delinear os experimentos, facilitando a interpretação dos resultados e os ajustes necessários. Até janeiro de 2012, esperamos propagar 40.000 mudas e contar com 1 tonelada de sementes para os experimentos e recomposição de outras áreas degradadas.


Diego Brandão
Coordenador das atividades de campo do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí.